Quarta-feira, 16 de Março de 2011 as 22:13:38
A Lição
Em algum assentamento, no meio do deserto destruído de Washington, uma mercenária dá uma aula para alguns adolescentes...
- Hoje vou ensinar a lição mais importante de todas para vocês, que irá garantir a sobrevivência nesse resto de mundo que estamos. Mas antes de falar qual é a lição, vou contar uma história que vai deixar bem claro o que eu quero dizer.
Antes de terminar aqui nesse fim de mundo, eu morava em uma comunidade maior, mais perto da cidade. Lá, existiam dois meninos chamados Arthur e Vitor, e eles eram muito amigos. Seus pais se conheciam desde infância, e seus avós também eram amigos antes disso. Quando os conheci, somente os pais de cada um estava vivo, e as mães tinham tido o mesmo destino, vendidas como escravas e mandadas para Paradise Falls.
Quando Vitor e Arthur fizeram 10 anos, seus pais deram pra eles 1 chave pra cada um, e cada chave possuía um formato estranho. Os pais falaram que aquelas chaves eram muito importantes, e que eles receberam elas dos avós de Vitor e Arthur, e agora eles estavam passando a tradição para frente. De acordo com eles, as chaves era especiais porque, em algum lugar do deserto, havia um edifício, e dentro desse edifício haviam 2 portas que levavam a um quarto que possuía tudo que alguém precisava para sobreviver, abundância de comida, armas, e outras coisas que iam garantir a vida de quem conseguisse entrar. Porém, essas portas só poderiam ser abertas com essas chaves, e as chaves tinham que ser utilizadas nas portas ao mesmo tempo. Nenhuma tentativa de abrir as portas a força iam funcionar, somente as chaves.
Por causa dessas chaves, Vitor e Arthur nunca se separaram. Sempre andaram juntos, e procuravam informações onde pudessem para tentar achar o tal edifício onde as portas estavam. Todo viajante que passava por nossa comunidade era incomodado por eles, que queriam saber como era a cidade, o que precisavam se pudessem viajar para lá, etc.
Anos se passaram, e o incentivo que precisavam para partir chegou na forma de um livro, em que um aventureiro listou várias dicas de sobrevivência, e no livro havia um relato de um prédio que encontrou em seu caminho que continha 2 portas que ele não conseguiu abrir, e aconselhou aos leitores não visitarem esse lugar, pois estava infestado de super mutantes e era muito perigoso.
OS avisos não foram suficientes para Vitor e Arthur, que começaram a estocar e se preparar para a viagem. Por meses eles fizeram qualquer trabalho que conseguiram para ganhar tampas de garrafa e comprar munição, caçaram porções extras de comida e treinavam mira com um estilingue improvisado. Curiosamente para eles, seus pais eram contra a aventura, sem explicar o porque.
Quase desistiram quando, durante os meses de preparação, seus pais estavam caçando comida juntos e foram mortos por pessoas desconhecidas, que deixaram os corpos completamente sem sangue. Arthur sentiu muito a morte do pai e queria desistir, mas Vitor se manteve firme e disse ser uma questão de honra encontrar as portas, e que não estava mais fazendo aquilo só por ele, mas pelo pai dele e de seu amigo também.
Quando acordei um dia, já haviam partido. E só fiquei sabendo do destino deles anos depois.
Um viajante passou pelo assentamento, e eu percebi que usava um calor com as duas chaves que eu conheci tão bem anos antes, e paguei aquele viajante pelas chaves e pela historia de como as encontrou. Foi muito simples, na verdade, um dia ele estava no centro da cidade fugindo de uns super mutantes quando se refugiou em um prédio, e resolveu ver o que tinha ali. Desceu alguns lances de escadas, e viu dois corpos no chão, um em cada porta, com varias queimaduras no corpo como se tivessem sido eletrocutados, e cada um segurando uma chave na mão. Ele pegou as chaves, e ouviu barulhos no andar de cima, então teve que fugir. Não voltou lá para não ter o mesmo destino daqueles dois corpos que encontrou.
- Ficou claro o que quis passar para vocês hoje? Eu ouvi os pais do Vitor e do Arthur conversando um dia, quando ainda estavam vivos, e falando que agora que as chaves estavam com os filhos, eles não iam se separar e iam cuidar um do outro. Era só isso que eles queriam com as chaves, ter certeza que nunca iam se separar e aumentar suas chances de sobrevivência.. Não há nenhum lugar seguro, não há um lugar mágico que irá salvar vocês dos perigos do mundo. Esperança é um atraso, uma distração, da tarefa que vocês tem que se concentrar, sobreviver!
Uma das meninas que ouvia a história levantou a mão e perguntou:
- Mas, e se as chaves eram pra porta errada? E se eles tentaram abrir as portas com a chave errada, e só o que precisavam fazer era trocar as chaves?
Todos ficaram calados e pensativos, enquanto a mercenária cortou a aula e simplesmente mandou todos irem dormir.
Naquela noite, foi difícil para todos dormir direito, pois a esperança teimava em abrir os olhos, e todos já começavam a se perguntar “será que ela ainda tem a chave?” “Onde será que fica o prédio?” “Onde posso encontrar aquele livro de sobrevivência.?”...


