Domingo, 28 de novembro de 2010 as 22:53:46
Castlevania: Lords of Shadow
Terreno complicado esse de se analisar um novo game da série Castlevania (Akumajou Dracula no Japão). A cada nova versão anunciada a expectativa por mais um grande game da franquia é levada a patamares altíssimos. E os resultados são sempre bons jogos. Mas aí é que mora o perigo, os últimos games da série foram bons jogos, mas há quem afirme: "Sim, esse foi um bom jogo, mas não foi um bom Castlevania".
Isso se deve, sobretudo ao enorme sucesso do aclamado Castlevania: Symphony of the Night, talvez pelo seu enredo maravilhoso, o quesito diversão ou as inúmeras horas que o game proporcionava. E aí que a coisa complica, se você espera por algo no estilo do velho sucesso, esqueça esse game. O game pega carona no sucesso da linha de jogos estilo God of War e Bayonetta e faz bonito nesse propósito. Os fãs mais ferozes com certeza rangerão os dentes, mas o objetivo aqui não é ser um Symphony of the Night 3D, e assim o game ganhou identidade própria, com muita ação, cenas cinematográficas estonteantes e um enredo aprofundado que nenhum game anterior da série apresentou.
Falando de enredo, Lords of Shadow lhe dá o controle de Gabriel Belmont, um honrado cavaleiro da Irmandade da Luz. No começo do game, temos um protagonista em busca de uma maneira de contatar sua falecida esposa Marie, que foi assassinada por monstros das trevas. A princípio uma manobra da Irmandade para conduzir Gabriel até sua esposa em busca de respostas que só ela, por algum motivo, pode fornecer ao nosso herói sobre o domínio das forças das trevas sobre a terra. A trama se desenrola aos poucos revelando uma importante lenda que conta sobre o surgimento de um guerreiro lendário, portador de um chicote místico, escolhido diretamente por Deus para combater o mal a cada 100 anos, trazendo a paz de volta ao mundo.
Esse, de longe é o melhor roteiro apresentado em um game da franquia, superando até mesmo Symphony of the Night. O leitor atento, já deve ter imaginado: "Claro, foi o Kojima quem escreveu essa história". Isso mesmo, para os desinformados, a Kojima productions, empresa da mente por trás de Metal Gear, prestou consultoria o tempo todo a equipe de desenvolvimento do game, influenciando sobretudo na história e no designs dos personagens. E assim, a busca de Gabriel por sua amada, por respostas e como a lenda dos Belmont se iniciou é muito bem construída com diálogos excelentes e aquele clima de reviravoltas e mais reviravoltas bem ao estilo Kojima de ser. Sem sombra de dúvidas o que nos faz querer terminar esse game é a história.
A jogabilidade apresenta uma série de controles fáceis de se acostumar e de excelente resposta. Gabriel utiliza durante o game uma cruz, de onde sai de sua ponta central uma pesada corrente cheia de pontas em suas extremidades, ou seja, uma visão um pouco diferente do famoso chicote do clã Belmont, o Vampire KIller. Basicamente você joga com dois botões básicos, um para o golpe normal, e outro para um golpe mais forte. A combinação dos dois é que faz a jogabilidade fluir.
É claro que os poderes estão presentes no game, mas você vai suar e muito para conseguir utilizar todos eles. o game possui um sistema para se adquirir habilidades bem extenso e complexo. A lista vai desde habilidades de luta normais e avançadas, até uso de armas, montarias, magias e habilidades especiais. Isso torna o game não tão linear, já que você pode avançar de acordo com as habilidades que melhor evoluir e acaba também lhe fazendo visitar novamente os estágios já passados em busca de novas habilidades.
As habilidades especiais de Gabriel são muito legais e devastadoras. A barra azul representa o hp, que se enche conforme o personagem desfere golpes nos inimigos. Uma outra barra, vermelha, permite ao jogador desferir golpes mais fortes. Para recarregar as barras, você já deve ter imaginado que é necessário recolher os espíritos, almas ou energias que os inimigos liberam ao serem derrotados. Um sistema novo e bem bolado é outra barra que vai ganhando energia conforme Gabriel luta e não recebe danos. Isso permite que você continue a combinar golpes mesmo antes dos inimigos caírem. Não se preocupe, porque todas essas habilidades, vão sendo incrementadas aos poucos no game, permitindo que você vá se acostumando gradativamente. Por isso no início o game pode parecer repetitivo, e não passa a idéia real do que tem a oferecer. Não desista do game após a primeira hora de jogo.
A câmera do game é fixa, o que para uns pode ser bom, para outros pode ser meio problemática. Pode ser um tanto complicada já que determinadas armadilhas e itens podem ficar meio escondidos simplesmente pelo ângulo da câmera, mas talvez isso tenha sido feito propositadamente para aumentar o fator exploração.
Graficamente, Lords of Shadow está entre o que há de melhor. O jogo todo é muito bonito, mas o que vale mesmo a pena é ver os inimigos clássicos da série totalmente em 3D, realmente de alegrar qualquer fã mais saudoso. Alguns dos chefes de fase, ainda são gigantescos. Os cenários são outro ponto fortíssimo, chamando muito a atenção. Juntamente com tudo isso, temos o excelente trabalho de animação dos personagens que dão uma realidade imensa ao game. Por muitas vezes você tem a sensação de que o sofrimento de Gabriel, em busca de redenção passa ao jogador.
A parte sonora é outro destaque excepcional. A trilha sonora, com canções tristes, melancólicas, empolgantes ou raivosas estabelece uma nova forma de se jogar Castlevania, pois tudo tem uma forte relação com a narrativa do game. Até hoje somente Silent Hill e Metal Gear conseguiam passar essa sensação através da parte sonora. Pode incluir Castlevania nesse seleto grupo também. As dublagens são outro ponto de destaque, muito bem executadas e com uma equipe de atores de primeira para dar vida a Gabriel, Marie e os demais presentes. Robert Carlyle (de Stargate Universe) no papel de Gabriel, além de Patrick Stewart (de X-Men), Emma Ferguson, Natascha McElhone e Jasoon Isaacs emprestam suas vozes aos personagens. Ah! Claro. Os efeitos especiais são de primeira qualidade também.
Pra finalizar Castlevania: Lords of Shadow lembra muito mais os primeiros títulos da série do que Symphony of the Night. Um game mais linear, voltado muito mais para a ação do que para a exploração, com uma narrativa soberba, gráficos excepcionais e trilha sonora emocionante. Um bom game e um ótimo Castlevania.
9.5
10
9.5
9.7
9.6





